No Semiárido brasileiro, o inverno já está se
aproximando. Quando árvores sangram, pássaros constroem ninhos mais resistentes
e a posição das estrelas muda, é sinal de chuva no sertão. Já faz tempo que os
institutos de meteorologia existem, mas é nas comunidades rurais do semiárido
que vivem os profetas da chuva. Assim são chamados homens e mulheres de
diversas idades que vem aprendendo e repassando a cada geração como reconhecer
os sinais de chuva. Existem três linhas de percepção: as mudanças na fauna e
flora, a posição dos astros no céu e os sonhos. vejamos algumas letras de musicas sobre as adivinhações de quem é Profetas da Chuva:
Xote das Meninas
Autorias: Compositor: Zé Dantas / Luiz Gonzaga
Mandacaru quando fulora na seca
É o sinal que a chuva chega no sertão
Toda menina que enjoa da boneca
É sinal que o amor já chegou no coração...
Meia comprida não quer mais sapato baixo
Vestido bem cintado não quer mais vestir timão...
Ela só quer
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar...
De manhã cedo já tá pintada
Só vive suspirando sonhando acordada
O pai leva ao dotô a filha adoentada
Não come, nem estuda
Não dorme, e nem quer nada...
Ela só quer
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar...
Mas o doutor nem examina
Chamando o pai de lado lhe diz logo em surdina
Que o mal é da idade e que prá tal menina
Não há um só remédio em toda medicina...
Ela só quer
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar...
Ela só quer
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar...
Chover
(Invocação Para Um Dia Líquido)
Autorias: Lirinha; Clayton Barros
"O sabiá no sertão
Quando canta me comove
Passa três meses cantando
E sem cantar passa nove
Porque tem a obrigação
De só cantar quando chove*
Chover chover
Valei-me Ciço o que posso fazer
Chover chover
Um terço pesado pra chuva descer
Chover chover
Até Maria deixou de moer
Chover chover
Banzo Batista, bagaço e banguê
Chover chover
Cego Aderaldo peleja pra ver
Chover chover
Já que meu olho cansou de chover
Chover chover
Até Maria deixou de moer
Chover chover
Banzo Batista, bagaço e banguê
Meu povo não vá simbora
Pela Itapemirim
Pois mesmo perto do fim
Nosso sertão tem melhora
O céu tá calado agora
Mais vai dar cada trovão
De escapulir torrão
De paredão de tapera**
Choveu choveu
Lula Calixto virando Mateus
Chover chover
O bucho cheio de tudo que deu
Chover chover
suor e canseira depois que comeu
Chover chover
Zabumba zunindo no colo de Deus
Chover chover
Inácio e Romano meu verso e o teu
Chover chover
Água dos olhos que a seca bebeu
Quando chove no sertão
O sol deita e a água rola
O sapo vomita espuma
Onde um boi pisa se atola
E a fartura esconde o saco
Que a fome pedia esmola**
Seu boiadeiro por aqui choveu
Seu boiadeiro por aqui choveu
Choveu que amarrotou
Foi tanta água que meu boi nadou***
*Zé Bernardinho
**João Paraíbano
***Toque pra boiadeiro
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